Memórias de infância
[…] Nos anos sessenta os professores batiam nos alunos não porque se portassem mal, longe disso! Ninguém ousava portar-se mal! Os alunos apanhavam pancada porque não sabiam o que era suposto saberem. Apanhavam porque escreviam com erros, não acertavam as contas, etc…Coitados de nós!O meu primeiro dia na escola primária não foi nada de especial, ainda não sabia do que a professora era capaz. Depressa descobri!
Lembro-me que na primeira prova de avaliação que fiz, tive dificuldade numa pergunta, a professora foi para junto de mim e a partir daí não consegui fazer mais nada. De tanto apagar fiz um buraco na folha! Ela nem percebeu que eu não consegui fazer, porque fiquei nervosa pelo facto de ela ter estado ao meu lado.
Na verdade, não apanhei pancada na escola mas vi os meus colegas apanhar. Um dia, estava uma colega no quadro, a professora enervou-se, bateu-lhe com a Cana da Índia na cabeça e o sangue jorrou cara abaixo. É uma cena que nunca irei esquecer.
Todos os dias a professora chegava à escola e tinha um ritual: tirava a dentadura e punha-a em cima da secretária. Eu, confesso, nunca percebi o porquê dessa atitude, se ela tirasse os sapatos e calçasse uns chinelos…mas, a dentadura?!...
A hora do recreio era muito divertida! Para além de brincarmos, ainda nos empanturrávamos com amoras. No pátio da escola havia amoreiras e na época das amoras comíamos até não poder mais. Nós, e as abelhas! […]
Digo-lhe eu porque Tina, quando berrava tinha a certeza que não precisava procurar por ela ao fundo da sala :)e não havia acidentes de percurso
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